Entrevista com Gonzalo Frasca

Gonzalo Frasca (Montevideo, 1972) é um game designer e pesquisador acadêmico com foco em serious games de conteúdo politico. Frasca é originalmente do Uruguai, onde formou a Powerful Robot Games, um estúdio de jogos em Montevideo. Considerando os aportes teóricos sobre jogos, Frasca pode ser considerado um “ludólogo”, que consideram vídeo games como simulações baseadas em regras e, como afirma o próprio Frasca, “a primeira complexa mídia simulacional para as massas” (cf. FRASCA, Simulation versus Narrative: Introduction to Ludology. Routledge, 2003) – o que significa uma mudança de paradigma no consumo de mídia e sua produção.

1) Como você se tornou um pesquisador de serious games?

*Eu sou interessado em jogos. Serious games ampliam o que conhecemos sobre jogos hoje, levando-os mais longe. Assim, qualquer pessoa que tem interesse em entender games à fundo se interessará pelos Serious Games. Mesmo que grande parte dos serious games não são bem sucedidos, basta refletirmos nas questões que eles levantam para nos tornarmos melhores game designers.

2) Qual é a melhor definição para Ludologia e Narratologia?

*Ludologia é apenas uma palavra para falarmos de pesquisas sobre jogos e brincadeiras. Simples assim. Existem diversas denifições para Narratologia, mas basicamente é a disciplina que estuda histórias e o ato de contá-las (story telling).

3)Podemos ver uma “onda” de estudos sobre o uso de mecanica de jogos em diversas areas de conhecimento. Qual a sua posição referente a palavra Gameficação

*Eu já vi muitos chavões irem e virem sobre esse assunto. Enxergo como algo positivo o interesse das pessoas em aplicar jogos em outros campos. Se a gameficação veio para ficar ou vai desaparecer, somente o tempo dirá. Eu geralmente tento não acreditar em “receitas prontas”, e a maioria do conteúdo que eu vi sobre isto se apresenta como uma receita mágica. Mas eu posso estar errado.

 

4) O uso de serious games para campanhas politicas e para a educaçao cresceu no ultimos anos?

Na verdade não. E esta é uma questao interesante. Uma resposta simples é que eles não são relevantes. Eu acredito que ainda estamos esperando pela massa crítica (quando a quantidade de pessoas que consomem aquela mídia a torna forte o suficiente para ser caracterizada como “mídia de massa”). Eventualmente isto irá ocorrer. Especialmente na educação. E é esta a minha atual obsessão. Eu diria que atualmente estou mais interessado em educação do que em jogos. Bom, na verdade, é muito difícil ver um sem considerar o outro.

5) O mundo esta se tornando mais lúdico e com novas interfaces digitais e mídias sociais. Isto é um fato. Existe alguma empresa ou agencias de publicidade prontas para essas mudanças?

*Nao tenho certeza. Diremos que videogames ainda são considerados legais em si mesmos, e nao por conta do que eles podem fazer. Novamente, nós ainda estamos muito no princípio desse gênero [midiático]. Eu sei que não parece isso. E não é por causa da tecnologia, mas por causa das convenções sociais. Quanto mais incorporarmos os jogos na nossa cultura, mais fácil será [considerar e aplicar o seu potencial]. Eu sei que isso parece algo hippie, papo “new age”, mas jogar é não ter medo de tentar fazer. Jogar literalmente nos tornará livres.

6) Mande uma mensagem final para os novos pesquisadores de conceitos e desenvolvedores de games.

*Joguem meu novo jogo no iOS. Space Holiday. Não é um serious game, e nem tem conteúdo politico: é um simples jogo repleto de quebra-cabeças. Desenvolvê-lo foi um desafio que me coloquei. Eu sempre gostei de quebra-cabeças e achava que seria o tipo de jogo que eu não conseguiria fazer. Trabalhei muito duro para provar pra mim mesmo que estava errado.

E, em todo caso, fiquem longe de rótulos: pesquisador, designer, criador, jogador  – estas categorias se sobrepõem o tempo todo. Você não pode ser bom em uma sem ser bom nas outras.

Texto original de: Vicente Mastrocola (Vince Vader)

Textos de autoria de Gonzalo Frasca:

- Simulation versus Narrative.

Ludologists love stories, too: notes from a debate that never took place.

Videogames of the Oppressed: Videogames as a means for Critical Thinking and Debate.

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